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Tabela de traços

    Já foi dito que em passado recente era muito comum a utilização de tabela de traços para definição da composição de concretos em obras de pequeno porte. Mas se a prática era tecnicamente viável, porque nos dias de hoje temos que considerá-la absurda? Bem, a seguir expomos dois dos principais motivos, os quais se relacionam às alterações na composição dos cimentos disponibilizados no mercado:

I – Antigamente o tipo de cimento disponível no comércio era o Cimento Portland Comum. De lá pra cá a norma de classificação de tipos de cimento mudou e essa nomenclatura nem é utilizada mais. Hoje, praticamente só há no mercado cimentos compostos, isto é, cimentos de onde parte substancial do clínquer é substituída por filer, pozolana ou escória de alto forno. Para que o cimento seja aprovado no ensaio de resistência de cimento como CP-32 os grãos sofrem moagem muito intensa para ficarem mais finos.  Desse modo, quase todo o cimento já terá reagido aos 28 dias de cura, sobrando pouco ganho de resistência após essa idade. No passado, o ganho extra de resistência após a idade de 28 dias salvou muitas estruturas, hoje o pequeno aumento de resistência após essa idade ajuda muito pouco.

II - Dois cimentos de mesma resistência à compressão não necessariamente produzem concretos de mesma resistência (considerando um mesmo consumo de cimento por metro cúbico de concreto). Cimentos mais finos produzem maior coesão da mistura fresca, exigindo mais água de amassamento. Ou seja, se tivermos que escolher entre dois cimentos de igual resistência (no ensaio do cimento), mas de finuras diferentes, a melhor escolha será o cimento de grãos mais grossos, pois para uma mesma quantidade de cimento, o concreto feito com aquele de grãos mais grossos será mais resistente, já que necessitará de menos água na mistura. Sendo assim, como os cimentos disponíveis hoje em dia são bem mais finos que os de antigamente, é necessário usar maior quantidade de cimento para se alcançar a resistência desejada. Dessa forma, no mínimo teríamos que atualizar nossa tabela de traços, prevendo-se maior quantidade de cimento nas misturas.

     Recomendamos a leitura do artigo “Sobre uma certa Tabela de Traços de Concreto” do Engenheiro Manoel Henrique Campos Botelho, também autor do livro “Concreto Armado Eu Te Amo”, que conta a história da famosa Tabela Caldas Branco e de outras similares. O artigo pode ser encontrado em:

     http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=31&Cod=152

    

     Também há Tabelas de Traços para Concreto, disfarçadas de Softwares de Estudo de Dosagem. Cuidado! Se não há o preparo de misturas experimentais, moldagem de corpos-de-prova e utilização dos resultados pós-ruptura para o cálculo do traço da obra, então o software é só uma tabela de traços empíricos disfarçada de programa de computador. Software bom é aquele que auxilia o estudo de dosagem experimental, como é o caso do DOSA FÁCIL, que exige a realização de misturas experimentais, de cujos resultados são obtidos os valores característicos dos materiais a serem utilizados para o cálculo do traço da obra. Já uma Tabela de Traços disfarçada de Software, é só mesmo uma tabela, por mais sofisticada que possa parecer.

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